"E aqueles que pensam em Me procurar, saibam que a vossa busca e vosso anseio devem beneficiar-vos apenas se vós souberdes o Mistério; se o que vós procurardes, vós não achardes dentro de vós mesmos, então nunca encontrarão fora. Pois eu tenho estado convosco desde o Início e Eu Sou Aquela que é alcançada ao final do desejo"


domingo, 30 de dezembro de 2012

É HORA DE DANÇAR, É HORA DE CANTAR

Mar aberto, rende se meu coração
Lábio rachado, finda-se a alma
Um novo e amado ciclo amanhecer, neste alvorecer
Ouço a Voz da Madrugada

Agora é a Hora,
O feitiço foi lançado
Todo poder das Mulheres será libertado
Para o bem de todas (e todos)

Porto a porto todas as vozes,
De todas as mulheres serão ouvidas
E seu sagrado altar não será mais profanado
Que altar da Mulher seja mais que o corpo
Também ao alma
Que seja sacerdotisa a puxar a lua para si mesma
Que nuas dancem de mãos dadas
Que mulher seja livre para ser Ela mesma
E que mulher dance nua de conceito

E livre de alma.
A Deusa governará a Terra,
Assim seja
 Assim já é


Que o alvorecer que eu coloquei como homenagem a Deusa Mãe, Senhora do Amanhecer desperte seus corações, que esse ano seja cheio de riquezas, que Mãe Abundância, preencha seus corações.

O coração é vaso alquímico da Deusa e o útero da Mãe o receptáculo de uma nova Vida.
Pois Ela é A VERDADE, O CAMINHO E A VIDA, embora certas pessoas certamente digam o contrário.
Mas todos os deuses são filhos da Deusa, e Ela é rainha do universo.


Beijos para

Nana Odara (Juliana)
Rosa Leonor e todas as filhas da Deusa que participam do Movimento, aqui no Brasil ou em Portugal.PS: Eu preciso fazer um curso Biblico ou uma catequese para conhecer mais liturgia cristã...Quando ouvia a famigerada frase acima pela primeira vez achei que a pessoa que tinha dito era pagã e referi-se a Ela...
(essa Gaia, ainda vive como se mundo fosse belo e pagão...)

sábado, 29 de dezembro de 2012

A "CRISE" ATUAL

CRISE NO PATRIARCADO





A estrutura caractereológica do homem atual (que vem perpetuando uma cultura patriarcal e autoritária desde há entre 4 a 6 mil anos) caracteriza-se por um encouraçamento contra a natureza dentro de si mesmo e contra a m
iséria social que o rodeia. Este encouraçamento do carácter está na base da solidão, do desamparo, do insaciável desejo de autoridade, do medo, da angústia mística, da miséria sexual, da rebelião impotente, assim como duma resignação artificial e patológica. Os seres humanos adotaram uma atitude hostil àquilo que dentro deles mesmos está vivo, mas de que se afastaram. A origem desta alienação não é biológica, mas social e económica e não é detetável na história humana antes do surgimento da ordem social patriarcal.

WILHEM REICH
La Función del Orgasmo
citado por Cacilda Rodrigañez Bustos, em El Assalto al Hades

Imagem: Magritte
IN:: http://adeusanocoracaodamulher.blogspot.com.br/2012/10/crise-no-patriarcado.html

PARTE RELEVANTE DO FEMININO

“O sofrimento é uma parte relevante do feminino subterrâneo. Ele pode permanecer inconsciente até que o advento da Deusa da Luz o desperte para a percepção, o mova do entorpecimento silencioso em direcção à dor. Ao nível mágico da consciência ele é suportado de forma amenizada numa aparente “insensibilidade”. Desse modo como que não há percepção de sofrimento.(...) Mas o sofrimento é uma parte do feminino .”*

Isto quer dizer que quando a mulher tem consciência da Deusa da Luz, o sofrimento que a sua ausência - ou a falta de consciência de si mesma - provoca, é anulado pelo conhecimento de uma parte de si que lhe faltava e que serve de suporte à sua evolução e a uma nova postura na vida. Enquanto a mulher não fizer essa descida ao abismo que ela mesma é, ela não consegue deixar de sofrer a sua divisão e fragmentação e viverá como vítima secular reduzida a um instrumento de procriação e prazer ao serviço da sociedade, manietada pelo estado e pela religião. Pois “a vida da mulher tem sido uma realidade de partos repetidos e verdadeiramente presenciados pela morte, um ciclo natural que manteve a maior parte de sua vida centrada na áspera malignidade da realidade, na sensação de estar vivendo à beira de um abismo. Assim a criatividade feminina se consumiu nos partos, nas artes e manutenções domésticas - coisas sujeitas ao desgaste e à destruição, coisas a ser devoradas - além de não ter muito valor num contexto cultural mais amplo, embora constituam a força civilizacional básica de qualquer cultura, imediata e pessoal, construída nos pequenos interstícios do processo de manter a sobrevivência da família. Num contexto destes não é de espantar que o homem judeu agradeça a deus por não ter nascido mulher.(...)”*

“CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA”
De Sylvia B. Perera


extraído de MULHERES & DEUSAS - ROSA LEONOR -BLOG

FORÇA DA CRIAÇÃO

Entre os Mundos
CRIAÇÃO

Solitária, majestosa, plena em si Mesma, a Deusa, Ela, cujo nome não pode ser dito, flutuava no abismo da escuridão, antes do início de todas as coisas.  E quando Ela mirou o espelho curvo do espaço negro, Ela viu com a sua luz o seu reflexo radiante e apaixonou-se por ele.  Ela induziu-o a se expandir devido ao seu poder e fez amor consigo mesma e chamou Ela de "Miria, a Magnífia

O seu êxtase irrompeu na única canção de tudo que é, foi ou será, e com a canção surgiu o movimento, ondas que jorravam para fora e se transformaram em todas as esferas e círculos dos mundos. A Deusa encheu-se de amor, que crescia, e deu à luz uma chuva de espíritos luminosos que ocuparam os mundos e tornaram-se todos os seres.

Mas, naquele grande movimento, Miria foi levada embora, e enquanto Ela saía da Deusa, tornava-se mais masculina.  Primeiro, Ela tornou-se o Deus Azul, o bondoso e risonho deus do amor.  Então, transformou-se no Verde, coberto de vinhas, enraizado na terra, o espírito de todas as coisas que crescem.  Por fim, tornou-se o Deus da Força, o Caçador, cujo rosto é o sol vermelho mas, no entanto, escuro como a morte.  Mas o desejo sempre o devolve à Deusa, de modo que ele a Ela circula eternamente, buscando retornar em amor.

Tudo começou em amor; tudo busca retornar em amor.  O amor é a lei,     mestre da sabedoria e o grande revelador dos mistérios.

"A idéia dos sioux sobre as criaturas vivas é a de que as árvores, o búfalo e os homens são espirais de energia temporária, padrões de turbulência... esse é um reconhecimento intuitivo e primitivo da energia como uma qualidade da matéria.  Mas esse é um insight antigo, sabe-se extremamente antigo - provavelmente o insight de um xamã paleolítico.  Essa percepção encontra-se registrada de várias maneiras no saber primitivo e arcaico.  Diria que esta é, provavelmente, o insight fundamental da natureza das coisas, e que a nossa visão ocidental, recente e mais comum, sobre o universo como sendo constituído de coisas fixas está fora da direção principal, um afastamento da percepção humana fundamental."

Gary Snyder'

A mitologia e a cosmologia da Bruxaria estão enraizadas naquela "intuição de um xamã paleolítico": a de que todas as coisas são espirais de energia, vórtices de forças em movimento, correntes em um mar sempre em mutação.  Subjacente à aparência de isolamento, de objetos fixos em um curso linear de tempo, a realidade é um campo de energias que se solidifica, temporariamente, em formas.  Com o tempo, todas as coisas "fixas" se dissolvem, apenas para se fundirem novamente em novas formas, novos veículos.

Esta visão do universo como uma interação de forças em movimento - a qual, incidentalmente, corresponde, em um grau surpreendente, aos pontos de vista da física moderna - é o produto de um tipo muito especial de percepção.  A consciência comum que desperta vê o mundo como sendo fixo; ela focaliza uma coisa de cada vez, isolando-a do entorno, um pouco como ver uma floresta escura com o auxílio de um estreito raio de luz que ilumina uma só folha ou uma pedra solitária.  A consciência extraordinária, a outra modalidade de percepção, é ampla, holística e indiferenciada, enxerga padrões e relacionamentos no lugar de objetos fixos. É a modalidade da luz das estrelas: pálida e prateada, revelando o jogo de rumos entre laçados e a dança das sombras, sentindo caminhos como espaços no todo.
 


Starhawk em A Dança Cósmica Das Feiticeiras.
in:http://lumaeloraaislinabruxa.blogspot.com.br/2012/11/a-criacaopela-bruxaria.html

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A DEUSA E A NOSSA IRMANDADE


DEUSA DA CRIAÇÃO

Minha voz é ouvida por toda Terra e ouvinda além dela
Pois eu sou a Divina e Ancestral Deusa
Senhora de toda amaor que criou o mundo sob a harminia e a pefeiçãos dos ciclos
Que se repetem tanto na Terra quanto no Céu
Sob minha fronte trago o sol
Abaixo de meus pés minha, morada e carruagem, a Lua
Diante de mim Meu espelho que é o Universo
Atrás de mim Todo que não foi dito ou criado
Minhas mãos são negras pois ceifo tudo o que a minha frente
No todo, no universo
Pois está é a minha maneira de amar, para dar uma nova vida
O meu coração, são todas as mais puras emoções que animam a alma dos seres humanos
Tenho em mim a humildade pois criei meu contra parte para celebrar a alegria do universo
Tenho soberania pois meus ciclos mágicos controlam toda a sorte de poderes menores no Universo
Tenho dignidade pois dou independencia e direito de escolha a todos os meus filhos na Terra
E idependente da forma como meditem sobre a força da criação
Animo e dou amor a todos os seres
Por isso sou a Grande Deusa,
Mãe da Lua, Senhora do Sol, Rainha da Terra, e Soberania do Universo.

Gaia Lil




EU SOU A DEUSA

Eu sou a Deusa, Mãe da Vida,
Eu sou a Deusa, Portadora da Vida
Eu sou, eu sou, a Divina Deusa
Eu sou, eu sou a Divina Deusa
Isis, Vênus, Ishtar, Kali,
Minerva, Shakti, Kwan Yin, Lakshmi,
Eu sou, eu sou a Divina Deusa,
Eu sou, eu sou a Divina Deusa
Eu sou a Deusa, sempre viva,
Eu sou a Deusa, sempre amando
Eu sou a Deusa, Criadora da Vida,

Eu sou a Deusa, que alimenta a Vida.

I Am The Goddess - Lisa Thiel

  A consciência do Sagrado Feminino
Resgatando o passado, construindo o futuro


Mirella Faur

Durante os milênios da supremacia patriarcal, refletida nos valores espirituais, culturais, sociais, comportamentais e amparada pela hierarquia divina masculina, foi negada e reprimida qualquer manifestação da energia feminina, divina e humana. Resultou assim em uma cultura exclusiva e destrutiva, centrada na violência, conquista e dominação, com o conseqüente desequilíbrio global atual. Os homens - como gênero - não foram os únicos responsáveis pelas agressões e atitudes extremistas a eles atribuídas; a causa pode ser atribuída à maneira pela qual a identidade masculina foi criada e reforçada pelos modelos e comportamentos de “heróis” e “super-homens”. Fundamentados em seus direitos “divinos”, outorgados inicialmente por deuses guerreiros e depois reiterados pela interpretação tendenciosa dos preceitos bíblicos, os homens foram inspirados, instigados e recompensados para desconsiderar e deturpar as milenares tradições matrifocais e os cultos geocêntricos. Em lugar de valores de paz, prosperidade e parceria igualitária, foram instaurados princípios e sistemas de conquista, exploração e dominação da Terra, das mulheres, crianças e de outros homens.

Pela sistemática inferiorização e perseguição da mulher, o patriarcado procurava apagar e denegrir os cultos da Grande Mãe, interditando os seus rituais, “demonizando” e distorcendo seus símbolos e valores. A relação igualitária homem-mulher foi renegada, a mulher declarada um ser inferior, desprovido de alma, amaldiçoado por Deus, responsável pelos males do mundo e por isso destinada a sofrer e a ser dominada pelo homem. Os princípios masculino e feminino – antes pólos complementares da mesma unidade – foram separados e colocados em ângulos opostos e antagônicos. Enalteceu-se o Pai, negou-se a Mãe e usou-se o nome de Deus para justificar e promover o código patriarcal, a subjugação e exploração da Terra e das mulheres. A tradição, os cultos e a simbologia da Deusa foram relegados ao ostracismo e paulatinamente caíram no esquecimento. Patriarcado e cristianismo se uniram na construção de uma sociedade hierárquica e desigual, baseada em princípios, valores, normas, dogmas religiosos, estruturas sociais e culturais masculinas.

As últimas décadas do século passado proporcionaram uma gradativa mudança de paradigmas nas relações e nos conceitos relativos ao masculino e feminino. No entanto, para que este avanço teórico se concretize em ações e modificações comportamentais e espirituais, é imprescindível reconhecer a união harmoniosa e complementar das polaridades e procurar novos símbolos e rituais para o seu fortalecimento e equilíbrio. Com o surgimento progressivo de uma dimensão feminina da Divindade na atual consciência coletiva, está sendo fortalecido o retorno à Deusa e a revalorização do Sagrado Feminino.

Somos nós que estamos voltando à Deusa, pois Ela sempre esteve ao nosso lado, apenas oculta na bruma do esquecimento e velada pela nossa falta de compreensão e conexão com seu eterno amor e poder.

A principal diferença entre o Pai patriarcal, celeste e a Mãe cósmica e telúrica universal é a condição transcendente e longínqua do Criador e a essência imanente e eternamente presente da Criadora, em todas as manifestações da Natureza.

A redenção do Sagrado Feminino diz respeito tanto à mulher quanto ao homem. Ao esperar respostas e soluções vindas do Céu, esquecemos de olhar para baixo e ao redor, ignorando as necessidades da nossa Mãe Terra e de todos os nossos irmãos de criação. Para que os valores femininos possam ser compreendidos e vividos, são necessárias profundas mudanças em todas as áreas: social, política, cultural, econômica, familiar e espiritual. Uma nova consciência do Sagrado Feminino surgirá tão somente quando for resgatada a conexão espiritual com a Mãe Terra, percebida e honrada a Teia Cósmica à qual todos nós pertencemos e assumida a responsabilidade de zelar pelo seu equilíbrio e preservação.

O reconhecimento do Sagrado Feminino deve ser uma busca de todos, porém cabe às mulheres uma responsabilidade maior, devido à sua ancestral e profunda conexão com os arquétipos, atributos, faces, ciclos e energias da Grande Mãe.

Uma grande contribuição na transformação da mentalidade do passado e na expansão atual da consciência coletiva são os encontros de homens e mulheres em círculos e vivências comunitárias, para despertar e alinhar mentes, corações e espíritos em ações que visem a cura e a transmutação das feridas da psique, infligidas pelo patriarcado. Apaziguar a si mesmo, harmonizar seus relacionamentos, vencer o separatismo, reconhecer e honrar a interdependência de todos os seres, evitar qualquer forma de violência, dominação, competição ou discriminação são desafios do ser humano contemporâneo, no nível pessoal, coletivo e global. Incentivando a parceria entre os gêneros e a interação dos planos energéticos (celeste, telúrico, ctônico) criam-se condições que favorecem a expansão da consciência individual e contribuem para a evolução planetária.

IN;http://teiadethea.org/?q=node/92

Irmandade de Todas as Mulheres na Terra


The Sisterhood

Uma a uma, mulheres como você estão despertando para a realização da beleza inerente da irmandade dotada em nós desde o nascimento. Abraçamos a verdade inegável de que tudo na Terra nasce do feminino. Nós estamos nos dedicando a esta verdade assim poderemos ajudar a dar nascimento aos sonhos da humanidade.

Como uma mulher disse:" Por favor, por favor, mulher, levante-se perante mim em toda sua glória para que eu possa me levantar perante você em toda minha glória." Este era o sincero, apelo apaixonado de uma pessoa idosa que compreende a ligação profunda entre a irmandade e a inteligênciasábia do princípio feminino, que vê a outra mulher como partes iguais do todo.

A Irmandade de Todas as Mulheres na Terra ama e estima você incondicionalmente . Incentiva você para a completa autoestima de seus valores presentes e talentos e para expressar sua sabedoria pessoal e a visão.

A Irmandade de Todas as Mulheres na Terra importa-se profundamente que você honre a si mesma. Como as mulheres saem de nossa desconfiança e separação de um outro, nós achamos que apesar da diversidade de cada aspecto de nossas vidas, em um nível profundo de sinceridade nós compartilhamos nossas maiores necessidades e interesses.

Nós achamos que nenhuma mulher quer viver em um mundo de violência de abuso. Nenhuma mulher quer um lugar inseguro, inseguro para suas crianças, e crianças das suas crianças.

Nenhuma mulher quer que o ar seja inrespirável, a água seja impossível de beber, a Terra seja impossível de viver. As mulheres querem ser ouvidas e respeitadas quando dizem " NÃO" às coisas que comprometem nossa integridade. As mulheres querem andar em equilíbrio e igualdade com nossas contrapartes masculinas.

Todas as mulheres querem sentir-se inteiras e saudáveis e capazes de rir com alegria a cada dia de nossas vidas. Por que nós sonharíamos por algo menos? Por que nós não iriamos querer expressar o saber mais profundo de dentro de nós? Por que não é natural que nós desejemos fazer a vida mais fácil e mais encantadora para os outros? Por que nós não iriamos querer autorizar a criar, com nossa grande imaginação, um céu aqui na Terra?

Nós todas nos originamos da mesma Fonte Criativa: nossa incrível, fértil e amorosa mãe. Está dentro de nós, e se nós não compartilharmos seu coração e sua visão, quem compartilhará? Se não agora, quando?

Da mais alta montanha ao mais baixo estado de desespero, nós podemos ajudar uma à outra recordando que nós estamos aqui e que nós nos importamos profundamente. Conectando com cada uma, nós incentivamos a consciência da verdadeira ligação que nós temos uma com a outra, e toda a vida em toda parte irá se beneficiar disto. É mágica. Bem vinda a Irmandade de Todas as Mulheres na Terra.

No espírito da verdade, Em nome do amor, Suas irmãs e amigas,

Uma Mulher
THE SACRED FEMININE

Montserrat

Montserrat é uma artista espanhola nascida em Barcelona, Espanha. Dirigindo seus estudos às ciências alternativas, estudou extensivamente a arte da Deusa Divina, alquimia e várias disciplinas em metafísica. Nos últimos 18 anos vivendo nos Estados Unidos, Montserrat pintou originais e expressões humanizadas e terrenas da Deusa, anjos e fadas. Com esta ruptura das imagens tradicionais, muitas mulheres através do continente, encontraram inspiração e enlevamento através de suas interpretações originais. Artista popular e respeitada na área de Seattle, Montserrat envolve seu tempo em tarefas relacionadas à mulher e à realização de seus potenciais. Descrevendo a si mesma como uma "eco-feminista", Montserrat incorpora of feminino sagrado em todos os aspectos possíveis de sua própria vida. Além da pintura, ela tambem cria esculturas, jóias temáticas relativas à Deusa e velas. Ela recebe seu apoio de longas caminhadas nas florestas no noroeste de Washington que cercam sua casa e seu estúdio. Paciência, humildade e amor incondicional são qualidades evidentes na essência de suas pinturas. Sua visão do sagrado feminino honra a essência criativa que está disponível a todas as pessoas, não obstante seu sexo. A primeira exibição pública de Montserrat se deu aos 16 anos em Barcelona. Desde então, o trabalho de Montserrat tem sido vendido em galerias de arte espanholas e em galerias em ambas as costas dos Estados Unidos e está em coleções particulares pelo mundo afora. No atual trabalho de Montserrat, a vitalidade da Deusa viva encontra manifestação. Seu trabalho de arte é a porta de entrada para o coração da Mãe Terra e simplesmente olhando para uma pintura, pode-se experimentar o profundo senso de interconexão com o mundo espiritual.

A REVOLTA DA SERPENTE-ÁRVORE DO PARAÍSO

E o SENHOR Deus ordenou ao homem: "Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá"

(Gn 2.16-17 NVI).


Fui desafiada pelo olhar da serpente
Corro o risco e me atento a mente
Plenamenta a revolta que já cresce
Em semente, a alma ardente
Queima, incendeia como uma árvore
Consumida pela chama vivente
Eras residênte
No interior da árvore.
Que Vivia em mim
Que Vivia na Terra
Que Vive no Mundo
Que Flameja no Universo
Que habita no Tempo
E resiste no Sem-Tempo
Da Deusa Suprema Vivente
Atenho as palavras como uma velha vidente:
"Viva pela alma e não pela mente"
Uma voz me desperta
Me revolta contra a nova e velha era
Pois de falsidades concebidas não brotam novas vidas
Sim, Amor e Morte são faces irmãs
Pois do amor brota a vida
E a morte destrói e trasforma a
Roda, que Roda, Roda sob o fuso
E Mão Dela vai tecendo encantamentos
Debaixo da Árvore do Mundo.
Quero chegar não ao céu
Pois em minha revolta sei do segredo sagrado
A Deusa Vivente habita na Terra
Que é porta do paraíso que se fechou
Deis de que apénas homem
A imagem de Deus a humanidade o criou.
 

domingo, 16 de dezembro de 2012

AS VEZES SER SINCERA EXIGE QUE SE CRIE SEM O SOPRO DA INSPIRAÇÃO

Suave coração perdido
Navega suave mente sobre oceanos
Oceanos de emoções e palavras
Sem medo de ser incorreto
Sem medo de não ser suavemente bela
Navega sem medo apenas com entrega
Intensa e sincera entrega
Mesmo sem poesia
Sabe que pode continuar
Sabe que averdadeira poesia não é rima
Das belas palavras
Mas o que elas contem em si
Seu significado e sua mensagem
Assim como mesmo sem se sentir
Uma artista, deve criar.
Crie mesmo que não aprecie sua criação
Crie como uma mensagem:

" Eu estou viva"



No silêncio da Noite
No silêncio da Lua
Estou fazendo meus sonhos
Se tornarem realidade
Eu estou fazendo o meu ser se tornar realidade

Gila Antara

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

MENTIRAS ACERCA DO DIÂNISMO FEMINISTA

A Sujeira Contra a Tradição Diânica
(por Z Budapest)
Ouvi que alguns dos maliciosos e antigos mitos estão vivos. Decidi atacá-los de frente desta veste.
1. Tradição Diânica é só para lésbicas.
Este é um mito que tenta dividir as mulheres, colocando-as contra elas mesmas. Um velho golpe. No passado isso funcionava, mas não funciona mais. Orientação Sexual não é de nenhuma importância quando você está aprendendo um caminho espiritual. Mulheres são Mulheres, você ama quem você quer. Naturalmente, historicamente, quando eu revivi os Mistérios das Mulheres, havia meio a meio, mulheres gays e mulheres heterossexuais, venerando juntas. Mas desde que eu não perguntasse quem está dormindo com quem, o que pode ser um pouco fora de propósito.
2. Um círculo só de mulheres não é equilibrado.
Um mito muito estranho. Como se ter um pênis em um círculo fosse equilibrar. Ocultar esta observação é hostilizar as mulheres porque elas reivindicam seu próprio espaço. Clamar alguma coisa sem homens parece enraivecê-los e fazê-los inventarem mentiras. Mulheres foram ignoradas e suas tradições foram enterradas profundamente, mas desde os anos 70 a tradição vem sendo recuperada e isto é bastante satisfatório. As Mulheres podem relaxar psiquicamente quando estão umas com as outras, podem ser elas mesmas. Quando você coloca um homem dentro do círculo, ambos os sexos atuam de modo diferente. Nenhum dos dois se comporta de forma autêntica. Um círculo só de mulheres é perfeitamente equilibrado porque a totalidade psíquica não depende da genitália.

3. Diânicas podem criar poder, mas elas não sabem como enviá-lo.
Este mito deve vir de um homem que obviamente não teve experiência em nos observar. Diânicas são especialmente boas em enviar energia, mesmo participando de feitiços políticos quando as mulheres mais precisam de proteção. Nossos feitiços se materializam na maioria das vezes. Regularmente amaldiçoamos estupradores e assassinos em massa; os homens que foram amaldiçoados não se safaram de seus crimes.
4. Diânicas odeiam homens.
Esta é a mais poderosa acusação para dividir as mulheres. Nós todas nos espantamos quando ouvimos isso porque o que diz é que estamos odiando nossos próprios filhos. Este é o resultado da audácia das mulheres em reivindicar nosso próprio espaço para venerar nossa Deusa. Nós somos as doadoras de vida, somos as criadoras de filhos e filhas, não há ninguém na terra que não veio de nossos ventres. Como ousam ser tão inseguros a ponto de chamarem suas próprias mães disso! Os homens têm seus sacerdócios, seus papas e aiatolás, têm seus fanáticos religiosos, Osama Bin Laden, e homens-bomba, seus clubes somente para homens e seus grupos dominantes para garotos. Homens não acusam outros homens de odiarem mulheres, mas deveriam. É uma estranha e enganosa proteção para as mulheres, na verdade. Para nos menosprezar, nos chamam de certos nomes apenas porque queremos venerar sem homens, é absurdo.
(Traduzido por Aphrodisiastes)
IN: http://dianismo.blogspot.com/2009/11/sujeira-contra-tradicao-dianica.html

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

GAROTA SELVAGEM


"Uma vez, eras atrás, as pessoas retrataram a divindade como feminina, como uma deusa.
 Aqueles que a serviam eram comom ela: sacerdotes mulheres. Então por mais anos que podemos contar, a Deusa parece desaparecer. Não haviam esculturas de mármore representando o poder e a força femininos para inspirar as mulheres. As mulheres não mais presidiam os rituais religiosos. Ainda se falava da Mãe Natureza, mas ela não era mais vista como divina.
 Hoje, a Deusa está sendo redescoberta, e as mulheres são novamente suas sacerdotisas. Hoje, centenas e até mesmo milhares de pessoas levantam suas vozes em canções e, juntas, movem-se em danças honrando a Terraque sustenta nossas vidas. Pequenos grupos se reúnem para acender velas e recorrer a Ela. E, individualmente garotas e mulheres, homens e garotos, depositam flores diante de imagens da Deusa curvando suas cabeças em sinal de reverência numa sincera prece silênciosa.
 Você é parte do ressurgimento da Deusa se sempre percebeu o poder da terra edo céu em sua bela dança diária. Você é parte deste ressurgimento se tem observado, com amor e admiração, como uma mulher se modifica em força e poder. Você é parte do ressurgimento da Deusa se tem percebido - ou ao  menos suspeitado - que, em seu próprio interior, guarda uma parte do antigo poder feminino..."


Trecho de abertura do LIVRO Garotas Selvagens - O Caminho da Deusa Jovem - Patricia Monaghan

Recebi este livro de presente do pequeno círculo em que trabalho e fiquei muito emocionada quando eu o recebi: é o meu primeiro livro que se remete especificamente ao Caminho da Deusa e sua jornada interior...a abertura simples me tocou profundamente pois veio no momento exato.

domingo, 28 de outubro de 2012

AS MULHERES DA DEUSA

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Lançamento do livro Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas na livraria Cultura - Iguatemi, em Brasília, dia 28 de março de 2012. Com participação do Círculo de mulheres da Teia de Thea.

POR UM SONHO POSSÍVEL

QUANDO A MULHER ASSUMIR O PODER DA DEUSA...



QUANDO O VÉU DA MÃE SE LEVANTAR..."No alto do ramo mais alto, uma tão rosa maçã. Mulher. Esqueceram-na os apanhadores de frutas? Não. Mãos não tiveram para a colher..."(Safo)Mulheres...vocês ainda não sabem nem sonham do vosso potencial, da vossa liberdade, da vossa generosidade e grandeza...Vocês ainda não imaginam sequer...o poder...do amor que em vós está oculto...Mulheres....um dia, quando o Véu do oculto, o Veu da Mãe se levantar e Ela vos olhar de dentro de vós... e se erquer no vosso corpo e vos levantar à sua altura, vocês vão saber quem são e voltar a encontrar a plenitude do SER MULHER...e o mundo e a Terra vai mesmo mudar...
Muita gente hoje fala das crianças indigo, dos que hão-de vir, as novas almas...mas tal como a Terra e o Planeta está subestimado e reduzido à sua expressão mínima, também a Mulher como a Natureza foi vilimpendiada e destruida no seu potencial e vitalidade e um dia, quando a Terra se libertar desse jugo, ela vai voltar a dar os seus frutos, tal como também a Mulher voltará a ser vital e cheia de energia amor e força...E a regeneração do Planeta e da natureza está nas suas mãos...
E como as árvores que nos dão sombra e sorvem a luz a Mulher terá de novo as suas raízes bem fundas na Terra e o corpo erguido para o céu...
Não será mais a mulher subjugada à maternidade e ao sexo, vendida, escravizada, violada, abusada no mundo inteiro...a mulher reduzida a um verbo de encher...
Não, a Mulher voltará um dia a ser a Senhora e Deusa na Terra e ela continuará a ser a Amante e a Mãe de todas as almas que virão transformar o Planeta, mas é delas e por elas que a Terra será livre do jugo da guerra e da mentira dos homens que as mantiveram prisioneiras durantes milhares de anos. E os seus filhos serão livres e iguais à Luz do Novo Mundo que há-de vir...sem mentiras nem ódio...

Rosa Leonor Pedro
..."E são estes mistérios que convem abordar. Com respeito, com audácia e inocência, tentando recorrer à intuição sagrada, essa “ignorância” à qual nós não sabemos fazer suficientemente confiança.”
IN: MULHERES & DEUSAS(republicado)

GAIA LIL: O RETORNO...



Minhas irmãs, gostaria DE VOS DIZER QUE NÃO PENSEM NEM POR UM SEGUNDO QUE DESISTI DESTE TRABALHO.
O levarei até o fim...Tenho tipo minhas próprias dificuldades e uns problemas de percurso, mas minha volta se dará em breve assim que conseguir organizar minhas questões financeiras e instalar uma conexão de internet em minha casa, Até lá meus mais sinceros beijos e abraços desta filha da Deusa que sonhe se encontrar pessoalmente com todas vós, aqui ou no astral.
Abraços e saudações fraternais

sábado, 15 de setembro de 2012

VIDA NOS BRAÇOS DELA



Esse ano foi muito complicado para mim, mas também me trouxe boas coisas e tenho recebido mais sinais da Deusa do que nunca...Mas tudo isso vem temperado de certa tristeza pois com o advento da doença da minha vó (ela não pode nem andar e minha mãe passa a maior parte do tempo cuidando dela em licença do trabalho) em acabei tendo que ficar mais presa a minha família para ajudar e embora saiba ou sinta que tudo vai acabar bem ocasionalmente acabo me desanimando. O bom é que finalmente consegui um emprego!
É coisa simples na URG no setor de uma empresa de alimentação, mas mesmo lavando pratos e cortando legumes todo dia, já vou poder comprar minhas próprias coisas...Isso vai me dar um folego tremendo. Outro dia topei com uma estatua da Deusa exatamente no hospital aonde minha avó foi quando passou mal recentemente. Ela estava num patio na parte detrás do hospital e ninguém dava atênção a Ela mas meus olhos treinados a reconhecer insignias da Deusa ao longe...Me levaram direto a presença Dela. É claro que é apenas um simbolo mas achei muito forte ver a Deusa ali no papel de consoladora, vestida de azul celeste... Não, não era Nossa Senhora, mas era uma Dama de cabelos longos e negros e de expressão maternal agarrada a duas crianças (uma menina e um menino) que seguravam pombas brancas nas mãos. Ela estava no centro do pátio e atrás dela e após um banco bem na direção da estátua estava uma romanzaira em flor. Colhi uma das romãs-flores e me lembrei que a Deusa Hera era regente daquela árvore. Coloquei a flor aos pés da Senhora entre as dobras de seu vestido de pedra...Lembro me do número de pétalas, era sete como o cíclo que a Lua leva para chegar a sua plenitude...
E entendi que Ela (a Deusa e não a estátua) estaria comigo e que eu nunca A perderia de vista enquanto mantivesse meu único vaso transformador (o coração) em movimento, em crescimento...ela estaria comigo e nunca me faltaria quando eu necessita se Dela. Isso também me lembra quando aspirei o perfume de uma branca flor de espiradeira e a luz da lua e diante da árvore (que na verdade é um conjunto de espiradeira e murta outra árvore consagrada a Senhora dos Céus) senti uma imensa paz...Sei que meu caminho é difícil mas enquanto estiver nas mãos dessas antigas senhoras, sei que jamais estarei ou me sentirei sozinha novamente.

A proposito o nome do hospital é Casa de Portugal e a mulher que me ajudou a encontra lo ( eu não estava com minha avó quando ela passou mal) era bem parecida com a Rosa Leonor...ou seria a Sábia Anciã?

Gaia Lil que nesse setembro, dia 19 completa 19 anos...
(achei até foto do pátio...Com a estátua da Deusa e uma mulher no colo Dela!)


O QUE VIBRA NO ÊXTASE DA DEUSA

Memorial

* Navegue no interior do site pelas "palavras de toque" ou através do "Arquivo do blog".
"A terra é um ser vivo e consciente. Juntamente com as culturas de muitos diferentes tempos e lugares, denominamos como coisas sagradas: ar, fogo, água e terra.

Quer as vejamos como respiração, energia, sangue e corpo da Mãe, quer como dádivas abençoadas de um Criador, quer como símbolos dos sistemas interligados que mantêm a vida, sabemos que nada pode viver sem elas.

Chamar essas coisas de sagradas equivale a dizer que têm um valor além de sua utilidade para os fins humanos, que elas próprias se tornam os padrões pelos quais nossos atos, nossa economia, nossas leis e nossos propósitos devem ser julgados. Ninguém tem o direito de apropriar-se ou beneficiar-se delas à custa dos outros. Qualquer governo que falhe em protegê-las perde sua legitimidade.

Todas as pessoas, todos os seres vivos são parte da vida terrena, e, portanto, sagrados. Nenhum de nós mantém-se acima ou abaixo de qualquer outro. Apenas a justiça pode manter o equilíbrio; somente o equilíbrio ecológico pode manter a liberdade. Apenas em liberdade conseguimos com que a quinta coisa sagrada, a que chamamos espírito, floresça em sua plena atividade.
Honrar o sagrado é criar condições nas quais nutrição, sustento, conhecimento, liberdade e beleza possam vicejar. Honrar o sagrado é tornar o amor possível."
(Starhawk - A quintessência sagrada)

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

UMA IMPORTANTE INFORMAÇÃO SER VINCULADA

Este texto que é importantissimo para seriedade do meu trabalho sumiu de seu link...Não sei se foi um problema de blogger, se apaguei sem querer ou num momento de desatino. É importante lembrar que não sou biologicamente mulher, embora eu espere que isso não interfera diretamente no meu trabalho. É capaz que algumas das coisas escritas no texto já não façam mais importância pra mim, mas como estou num preguiçoso período de repousa, ão de me perdoar por não me dar o trabalho de fazer um texto novo sobre o tema.

REPUBLICANDO:

"Também queria falar um pouco de mim, para que vocês ai do outro lado da tela, tenham mais um pouco de consciência a cerca de com quem estão lidando. Primeiramente sempre que penso e mim própria, eu acabo nunca chegando a conclusão a respeito de mim mesma.A primeira conclusão que tenho a respeito de mim mesma é que sou muito estranha, e em geral, não tenho um gosto muito parecido com os das outras mulheres, isto meu Feminino atua de forma diferente sobre mim mesma, só sendo marcado pela tom da minha voz que embora seja um tanto grosseira é mais suave e feminina assim como meus movimentos tendem a ser ritmados e leves como se eu não estivesse andando e sim dançando.Apesar da descrição ser um tanto romântica, ouve tempos que antes de eu conhecer a Deusa, eu odiava a mim própria por tamanha delicadeza e feminilidade, por uma motivo óbvio que reverbera todo o sistema patriarcal , isto é, eu não sou uma mulher no próprio termo, a não ser enquanto personalidade e pelo meu modo de pensar que é intrisicamente feminino, o que estou tentando dizer é que não sou mulher biologicamente e os leitores mais antigos disso sabem (aqueles que acompanharam minha luta e minha dor, assim como meus milagres).

Outra coisa que acho curiosa é que não consigo pensar como os Homens (ou gays) geralmente pensam porque ao contrario do que pensam a maioria dos homens, todo e qualquer relacionamento sexual (isto, pelo menos para mim) tem de ir além do prazer sexual em si, e envolver dimensões, digamos mais emocionais...Longe de ser piegas e falar de amor verdadeiro, e muito menos voltar a pensar como eu pensava antigamente, sonhando com o amor de um homem bondoso e espiritualizado (sim, eu realmente era uma tola).O que quero dizer é que toda essa saga que alguns vem acompanhando a mais tempo aqui na Alta Sacerdotisa, começou deis de o momento em que descobri a Deusa, um pouco ao acaso (sabemos que não existe acaso) um pouco por sorte, porque deis dai parei de odiar a mim mesma, ou meus próprios sentimentos em relação ao meu modo de me mover, vestir, pensar...

Mas, uma coisa que eu nunca consegui compreender totalmente, era o amor e o apreço pelas mulheres que eu tive muito antes de conhecer a Deusa, pois sempre em minha brincadeira escolhia personagens femininas e na maioria das vezes criava minhas próprias personagens, mulheres poderosas, rainhas de reinos longincos e mulher dotadas de poderes sobrenaturais tão grandes, como o controle da natureza, os ventos e a agua...Assim como numa de minhas brincadeira eu brincava de que a Rainha tinha uma filha que era raptada e esta era a única a ter direito de sucessão ao trono. E ao pensar nisso e lembrar das coisas que aprendi aos reler a Historia das Mulheres e da Deusa, eu sempre me pergunto como esses conhecimentos inconscientes conseguiram se preservar.

Fora a serie de experiências espirituais todas elas sem nenhuma excessão ligadas ao Principio Feminino, que foram se manifestando deis dos meus treze anos até agora.
Eu não sinto a Deusa com a mesma intensidade que sentia do que quando proferia oráculos paras mulheres e pedia que elas sentissem o poder da Deusa, porque quando faço um ritual ou alguma celebração sozinha não me sinto tão empenhada e nem sinto ser tão útil do que quando invoco os antigos poderes da Doadora da Vida junto com outras mulheres.
Na realidade muitas foram as tentativas de continuar em outras vertentes religiosas ou espirituais, antes que eu tivesse me dedicado totalmente a Deusa, mas sempre eu tinha a impressão que este tipo de espiritualidade não me oferecia formas de manifestar toda a minha alma, nem todo o meu potencia enquanto mulher ou enquanto ser humano totalmente enraizado no Principio Feminino.

Eu nunca consegui pensar como os homens, e se acalhar nem como muitas mulheres do

Patriarcado mas sempre me identifico com as mulheres que atuam nas causas feministas ou na maior causa feminina de todas: o Despertar da Deusa na Mulher, e o Despertar da Mulher na Deusa Mãe.
Embora o culto a Deusa tenha me tornado, digamos uma pessoa mais segura a respeito de si própria, ainda sinto que me falta uma maior ligação com as outras mulheres...Como se diz eu sinto muita falta de um abraço sincero de uma amiga ou de um afago de uma Mulher nas horas tristes...E sempre que penso no quanto eu estou sozinha na minha causa, quero dizer, o quanto me é dificil ter contato pessoal com outras mulheres que se sintam ligadas a Deusa e a sua causa no Rio de Janeiro e mais especificamente aqui no bairro aonde moro, sinto me profundamente frustrada e incompleta, não porque não conhecedora de sua profunda Essência Feminina ou dos arquétipos cingidos pelo patriarcado, mas pela falta de um relacionamento de confiança entre mulheres.

Outra coisa que acho curiosa é que apesar da atração que de fato sinto pelos homens, sinto me muito distante do género masculino em geral, seja na espiritualidade ou nos relacionamentos.
Muitos homens bonitos já me convidaram para sair ou mais descadaramente fazer sexo e eu os recusei todos, não pelo desejo de me manter virgem, mas pelo fato de eu sentir um profundo desprezo por homens, que apesar de tão bonitos e "maduros" tem a coragem de chamar, isto é, um menor de idade que ainda nem completou a sua formação física nem atingiu a sua idade "adulta" para fazer sexo...Creio que aqui no nosso pais aonde o sexo é tão valorizado , tais relacionamentos (pelo menos para as pessoas de classe media baixa ou classe baixa) tendem a ser comuns, embora a pedofilia seja um crime, eu nunca vi nenhum homem ser efectivamente punido por chamar meninas ou meninos para fazer sexo (um homem a muito tempo me ofereceu muito dinheiro quando estive em copacabana e eu claro, que recusei porque não sou assim tão miserável ao ponto de perder minha dignidade por dinheiro, seja quanto for).

Seja como for, estou escapando da questão essencial a cerca de mim, porque simplesmente não consigo me entender, apesar de me valorizar ou então controlar meus impulsos(apesar de ser sensata tenho de admitir que sou intensa e gosto de testar minha intensidade).
Espero que não tenham se decepcionado, mas se este for o caso, só posso dizer que faço o meu possível em nome da Deusa e da Mulher e não tenho culpa do meu feminino.
Mais tarde voltarei ao tema.

Gaia Lil
"

Tal qual e sem tirar nem por como publicado em

18 de janeiro de 2010


sábado, 18 de agosto de 2012

FILHA DAS SERPENTES


Senti águas que se agitavam profundamente, num perpetuo horizonte que se afundava em mim, rugido quese estendiam sobre minha pele que era instigada pelo sabor do vento...como a Medusa ou a Esfinge sei, que so tenho a capacidade de falar por códigos, as cifras indizivéis tão como as serpentes que adornam a cabeça e o ventre são indizivéis, estão ali para designar uma sabedoria que não pode ser dita..., apenas vivida e sentida...Elas não são um fim em si mesmas, tal como uma estátua da Terra Mãe não é a Deusa em si mesma,nem Esbat ou Sabath, mas apenas um símbolo de sua eterna e constante presença. Um símbolo é apenas um símbolo, importante sim, mas não visceral ou crucial. o importante é o instinto, o velho hálito divino da Mãe Serpente e astúcia ateporal que todas as Sas filhas têm e que deve ser sempre estimulada, jamais rejeitada, negada ou usurpada...

A velha serpente enrosca-se na minha pele voraz
Tenaz a argucia da Mãe Cobra envolve me
Por momentos sinto o movimento da serpente
Como fluídos vindos da Terra
Momentos e vidas, encarnações e ciclos
Vejo seus aneis movimentando se ligeiros sobre minha pela
Sinto a velha promessa das feiticeiras de Hécate
Sinto o tremor, meu corpo e minha alma são puro extremecimento
Exorcizando de mim todo o lamento
Sinto te, Grandiosa Terra Mãe
Sinto te em mim, em minhas viceras e em emu sangue
Sinto te virginal serpente
Antiga filha da Terra,
Sinto te...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

A BRUXA SOLITÁRIA


VIAGEM PARA O INTERIOR DE UMA BRUXA


Era manhã de Samhain, estava voltando do meu espaço de meditação no lago da Casa Telucama, quando avisaram que uma jovem me aguardava no portão, fui ao seu encontro. Era uma bela jovem de longos cabelos ruivos, olhar sereno e ao mesmo tempo muito triste.
Deixei-lhe à vontade e a convidei para entrar. Ela tinha ouvido a minha entrevista na Rádio nas primeiras horas da manhã, o que lhe deu incentivo e força para me procurar. Vontade essa que já fazia parte da sua alma há muito tempo e que naquele dia finalmente se concretizava.
Sentamos no jardim embaixo das árvores, ela trazia nas mãos uma velha pasta de coro.
Começamos a conversar sobre Bruxaria. Falamos do princípio de tudo, dos caminhos percorridos pelos Bruxos ao longo dos tempos. Da Inquisição e da Bruxaria moderna.
Ela sempre colocava apartes bem a propósito de quem tem um bom conhecimento do caminho da antiga religião.
Começamos então a falar da autoconsciência da Bruxa, que embora essa seja inata ao homem, na (o) Bruxa (o) especificamente , tem um longo e cansativo caminho evolutivo a percorrer. Do processo gradual de maturação e de crescimento para o desenvolver das habilidades mágicas.
Passamos então a fazer uma avaliação critica do movimento crescente da Bruxaria hoje no Brasil.
Desde o primeiro sinal da Bruxaria que vislumbramos no fim do túnel na nossa alma e no coração, das primeiras tentativas, muitas vezes erráticas e vacilantes. Da sensação de se descobrir a si mesma, da emersão no fundo da alma para encontrar a Deusa, Senhora da Vida e da Morte. A tomada de consciência de ser livre e autônoma para percorrer o caminho do desenvolvimento do SER. A plena manifestação da individualidade completa no sentido de resgatar de si mesma sua essência de mulher, o seu poder do feminino. A segurança de expandir-se, elevar-se até o seu mais sagrado Eu, e nele encontrar a sua Deusa Interna com toda manifestação da sabedoria universal que é um caminho árduo e conflituoso.
Esgotamos todos os caminhos discursivos do senso de individualidade e do coletivo. Buscamos entender o lento e fatigante caminho da Bruxa solitária. Em contrapartida , destrançamos a complexidade da convivência em um Clan.
Percebemos que com o desenvolvimento gradual da sensibilidade emotiva da Bruxa, da capacidade de perceber sentimentos e estados de ânimos, de desenvolver a habilidade de ler naturalmente os sinais, em fim as mil facetas da natureza, as impulsionam para uma mutabilidade de energias, as quais direcionam seu humor, seus desejos, suas tristezas, suas alegrias, em suma, sua forma de Ser. O que naturalmente influencia na sua forma de se relacionar. Os questionamentos passam a ser uma forma típica do seu comportamento.
A Bruxa solitária com o passar do tempo, o seu Eu torna-se poliédrico, de humor variável, esquivo, pois age de acordo com seu estado de ânimo no momento, é o processo da sua polaridade emotiva que se desenvolve vibrando como uma unidade isolada. Ao encontrar apoio de um outro Bruxo, seja a distância, seja convivendo, estabelece um elo com o qual pode se identificar.
Felizmente hoje, com a Internet e com as mais variadas formas de comunicação, este elo tem se tornado corriqueiro mesmo para os Bruxos solitários. Parece até natural sermos verdadeiras "ilhas vivas", que espelham por todos os lados a si próprias. É o gérmen embrionário da Deusa em nós. " NÓS SOMOS AQUELES QUE SOMOS". Somos essência imanente da Mãe antiga.
A Bruxa é como uma semente, que oculta latente em si toda a força, beleza, estatura que deverá alcançar quando liberta dos invólucros que a aprisionam: preconceitos, egoísmo, medos, sentimentos negativos e falta de conhecimento do sistema da Deusa.
E tendo percorrido seus caminhos a serviço da grande Mãe, absorvido seus ensinamentos através da simplicidade da natureza, emerge até a plenitude da maturação, transformando-se em frutos que darão sementes, que proliferarão a Deusa em outras almas e corações.
A Bruxa é portanto, o sinal da divindade potencial, por isso é imperioso que se discipline um longo processo evolutivo para crescer até a sua plena expressão.

Finalmente nos demos conta do tempo que se passara e nem percebemos. Eu precisava despedir-me, pois em algumas horas os Bruxos da Casa Telucama começariam a chegar para a celebração . Curiosa lhe perguntei pela maleta preta, estilo médico antiga e bem envelhecida. Ela calada abriu a maleta, e mostrou-me o que continha: vários frascos de porções antigos e uma velha caderneta. Serena e folheando a desgastada caderneta falou:
Era da minha avó. Ela era uma velha parteira... Nesta caderneta estão registrados a maioria dos partos que fez durante oitenta anos... Nos despedimos!
Acabara de conhecer uma Bruxa solitária...
Graça Azevedo/ Senhora Telucama
Suma Sacerdotisa do Templo Casa Telucama

IN; TEMPLO CASA TELUCAMA

domingo, 22 de julho de 2012

AH, ESSES ADOLESCENTES...


Criança da Promessa

Eu sou o filho da Donzela, Mãe, Anciã
A criança da promessa que construirá um novo amanhã
Eu sou o filho da Donzela, Mãe, Anciã
A criança da promessa que construirá um novo amanhã
Sou o fruto da Terra, que se move com o Sopro da Vida, que no Fogo se renova e vai fluindo nas ondas da Água Divina
Sou o fruto da Terra, que se move com o Sopro da Vida, que no Fogo se renova e vai fluindo nas ondas da Água Divina












Canção Para Inanna

Eu sou a filha da mãe antiga,
Eu sou o filho da mãe do mundo.
(repete)
Oh, Inanna, Oh, Inanna, Oh, Inanna,
Ensina, ensina-nos
Para morrer, renascer, e subir novamente,
Morrer, renascer, e subir novamente,
Morrer, renascer, e crescer.



Eu sou sua filha, oh mãe antiga,
Eu sou seu filho, oh mãe do mundo.




A FORÇA INTERNA

TRÊS CABELOS DE OURO

A renovação do fogo criativo

Imaginemos, portanto, agora que temos tudo reunido, que não temos a menor dúvida quanto ao nosso propósito, que não estamos nos afogando numa fantasia escapista, que estamos integradas e que nossa vida criativa prospera. Precisamos de mais uma qualidade. Precisamos saber o que fazer, não se perdermos nosso foco de atenção, mas quando o perdermos; ou seja, quando estivermos temporariamente desgastadas. O quê? Depois de todo esse esforço, ainda poderíamos perder nosso rumo? Poderíamos, sim, mas ele fica perdido apenas por um tempo limitado, pois é a ordem natural das coisas. Felizmente, os camponeses da Europa Oriental já resolveram tudo isso para nós. Eles têm um conto de fadas maravilhoso intitulado "Os três cabelos de ouro".

Esta é uma história que os contadores vêm transmitindo às pessoas há centenas, talvez milhares, de anos, pois ela representa um arquétipo. É essa a natureza dos arquétipos... eles deixam uma comprovação, eles se entretecem nas histórias, nos sonhos e nas idéias dos mortais. Ali eles se tornam um tema universal, um conjunto de instruções, residindo não se sabe onde, mas atravessando o tempo e o espaço para iluminar cada nova geração.

É uma história que trata da recuperação do rumo perdido. O rumo é composto de sentir, ouvir e seguir a orientação da voz da alma. Muitas mulheres conseguem ter uma perfeita noção de rumo mas, quando perdem contato com ela, ficam dispersas como um colchão de penas aberto que se espalhou por todo o campo.

É importante ter um repositório para tudo o que sentimos e ouvimos da natureza selvagem. Para algumas mulheres, é o seu diário, onde elas deixam registrada cada pena que passa voando; para outras, é sua arte criadora: elas dançam a natureza selvagem, elas a pintam, elas a transformam num enredo. Você se lembra da Baba Yaga? Ela tem um grande caldeirão. Ela viaja pelos céus num caldeirão que na realidade é um pilão com sua mão. Em outras palavras, ela tem um repositório no qual guarda as coisas. Ela tem um modo de pensar, um meio de se locomover de um local para outro que é contido. É, os repositórios são a solução para o problema de toda perda de energia, isso e mais alguma coisa. Vejamos...

Os três cabelos de ouro


Uma vez, numa noite escuríssima e trevosa, o tipo de noite em que a terra fica negra, as árvores parecem mãos retorcidas e o céu é de um azul-escuro de meia-noite, um velho vinha cambaleando pela floresta, meio às cegas devido aos galhos das árvores. Os ramos arranhavam seu rosto, e ele trazia um pequeno lampião numa das mãos. A vela dentro do lampião tinha uma chama cada vez mais baixa. O homem tinha os cabelos amarelos e compridos, dentes amarelos e rachados e unhas amarelas e recurvas. Ele andava todo dobrado, e suas costas eram arredondadas como um saco de farinha. Sua pele era tão vincada que caía em folhos do seu queixo, das axilas e dos quadris.

Ele se apoiava numa árvore e se forçava a avançar; depois se agarrava numa outra para avançar mais um pouco. E assim, remando desse jeito e respirando com dificuldade ele ia atravessando a floresta.

Cada osso nos seus pés ardia como fogo. As corujas nas árvores piavam acompanhando o gemido das suas articulações à medida que ele seguia pelas trevas. Muito ao longe, tremeluzia uma luzinha, um chalé, um fogo, um lar, um local de descanso; e ele se esforçava na direção daquela luz. No exato instante em que chegou à porta, ele estava tão cansado, tão exausto, que a pequena chama no seu lampião se apagou e o velho caiu porta adentro desmaiado.

Dentro da casa, uma velha estava sentada diante de uma bela fogueira e ela se apressou a chegar até ele, segurou-o nos braços e o levou mais para perto do fogo. Ela o abraçou como uma mãe abraça o filho. Ela se sentou na cadeira de balanço e o embalou. E ali ficaram os dois, o pobre e frágil velhinho, apenas um saco de ossos, e a velha forte que o embalava.

— Pronto, pronto. Calma, calma. Pronto, pronto. Ela o embalou a noite inteira e, quando ainda não havia amanhecido mas estava quase chegando a hora, ele estava extremamente renovado. Ele era agora um belo rapaz, de cabelos dourados e membros longos e fortes. Mas ela continuava a embalá-lo.

— Pronto, pronto. Calma, calma. Pronto, pronto. E quando a manhã foi se aproximando cada vez mais, o rapaz foi se transformando numa linda criancinha com cabelos dourados trançados como palha de milho.

No momento exato do raiar do dia, a velha arrancou bem rápido três fios da linda cabeça da criança e os jogou nos ladrilhos. Eles fizeram um barulhinho.

Tiiiiiing! Tiiiiiiing! Tiiiiiiiiing!

E a criancinha nos seus braços desceu do seu colo e saiu correndo para a porta. Voltando o rosto por um instante para a velha, o menino deu um sorriso deslumbrante, virou-se e saiu voando para o céu para se tornar o brilhante sol da manhã.
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Tudo à noite é diferente. Por isso, para entender essa história precisamos mergulhar numa consciência noturna, um estado no qual percebemos com maior rapidez cada estalido ou ruído. É à noite que ficamos mais próximos de nós mesmos, mais próximos de idéias e sentimentos essenciais que não são tão registrados durante o dia.

A noite é o mundo de Mãe Nyx, a mulher que criou o mundo. Ela é a Velha Mãe dos Dias, uma das megeras da vida e da morte. Quando é noite num conto de fadas, sabemos que estamos no inconsciente. São João da Cruz chamou-a de "noite escura da alma''. Nessa história, ela é um período em que um homem muito velho vai enfraquecendo cada vez mais. É uma hora na qual estamos nas últimas, em algum sentido importante.

Perder o rumo significa perder a energia. A tentativa absolutamente equivocada quando perdemos o rumo é a de correr para arrumar tudo de novo. Correr não é o que devemos fazer. Como vemos na História, sentar e balançar é o que devemos fazer. A paciência, a paz e o balanço renovam as idéias. Só o ato de entreter uma idéia e a paciência para embalá-la são o que algumas mulheres poderiam chamar de grande prazer. A Mulher Selvagem o considera uma necessidade.

Isso é algo que os lobos conhecem inteiramente. Quando um intruso aparece, os lobos podem rosnar, latir ou até mesmo mordê-lo, mas eles também podem, a uma boa distância, recuar para o interior do grupo, sentando-se todos juntos como uma família faria. As costelas se enchem e se esvaziam, sobem e descem. Eles estão tomando rumo, estão se reposicionando, voltando ao centro de si mesmos e resolvendo o que é importante e o que fazer em seguida. Estão decidindo que “não vão fazer nada agora mesmo, que só vão ficar ali sentados, respirando, embalando-se juntos”.

Ora, muitas vezes quando as idéias não estão funcionando bem, ou quando nós não as estamos trabalhando bem, perdemos nosso rumo. Isso faz parte de um ciclo natural e ocorre porque a idéia ficou ultrapassada, ou porque nós perdemos a capacidade de vê-la por um ângulo novo. Nós mesmas ficamos velhas e desconjuntadas como o velho em "Três cabelos de ouro". Embora haja muitas teorias sobre "bloqueios" criativos, a verdade é que bloqueios brandos vêm e voltam como as condições atmosféricas e como as estações do ano — com as exceções dos bloqueios psicológicos de que falamos anteriormente, como não mergulhar na própria verdade, como o medo da rejeição, o medo de dizer o que se sabe, a preocupação com a própria competência, a poluição da correnteza básica, entre outros.

Essa história é tão admirável por delinear todo o ciclo de uma idéia, a ínfima luz que lhe é concedida, que é obviamente a própria idéia, o fato de ela se cansar e praticamente se extinguir, tudo como parte do seu ciclo natural. Nos contos de fadas, quando acontece algo de mau, isso significa que algo novo precisa ser tentado, uma nova energia precisa ser aplicada, uma força mágica, de cura e ajuda precisa ser consultada.

Aqui mais uma vez vemos a velha La Que Sabé, a mulher, de dois milhões de anos. Ela é "aquela que sabe". Ser mantido diante do seu fogo é algo revigorante, reparador. É para esse fogo e para os braços dela que o velho se arrasta, pois sem eles ele morreria.

O velho está cansado de passar tempo demais dedicado ao trabalho que lhe demos. Vocês alguma vez viram uma mulher trabalhar como se o diabo estivesse agarrado no seu dedão do pé, só para de repente entrar em colapso e não dar mais um passo sequer? Você alguma vez viu uma mulher totalmente dedicada a alguma questão social que um belo dia virou as costas e mandou tudo para o inferno? É que seu animus está esgotado. Ele precisa ser embalado por La Que Sabé. A mulher cujas idéias ou energias feneceram, murcharam ou cessaram completamente precisa saber o caminho até a velha curandera e precisa levar o animus exausto até lá para que ele se recupere.

No final, porém, a mulher precisa descansar agora, ser embalada, recuperar seu rumo. Ela precisa rejuvenescer, recuperar sua energia. Ela acha que não pode fazer isso, mas pode sim, pois o círculo de mulheres, sejam elas mães, alunas, artistas ou ativistas, sempre se dispõe a suprir a falta das que saem de licença. A mulher criativa precisa de descanso agora para voltar ao seu trabalho intenso mais tarde. Ela precisa ir visitar a velha na floresta, a revitalizadora, a Mulher Selvagem numa das suas muitas apresentações. A Mulher Selvagem já espera que o animus fique exausto com certa regularidade. Ela não se espanta quando ele lhe cai porta adentro. Ela está pronta. Ela não virá correndo até nós em pânico. Ela simplesmente nos apanha e nos segura até que recuperemos nossas forças.

Levar a cabo longas empreitadas, tais como diplomar-se, concluir um original, completar uma obra, cuidar de uma pessoa enferma, todas essas atividades apresentam momentos em que a energia que um dia foi jovem fica velha e cai prostrada sem conseguir ir adiante. Para as mulheres, é melhor que elas tenham conhecimento disso desde o início porque as mulheres costumam ser surpreendidas pela fadiga. É então que elas uivam, resmungam, sussurram, queixando-se do fracasso, da incompetência e coisas semelhantes. Não, não. Essa perda de energia é o que é. Ela faz parte da natureza.

A suposição da força eterna no masculino é equivocada. Trata-se de uma introjeção cultural que precisa ser desviada da psique. Esse engano faz com que tanto as energias masculinas no cenário interior quanto os homens de verdade na cultura se decepcionem. Todos por natureza precisam de uma trégua para recuperar as forças. O modus operandi da natureza da vida-morte-vida é cíclico e se aplica a todo mundo e a todas as coisas.

Na história, três fios de cabelo são jogados ao chão, como no ditado, "Jogue um pouco de ouro no chão". Esse ditado provém de desprender las palabras, que na tradição dos contadores de histórias, dos cuentistas, significa jogar fora algumas das palavras da história para torná-la mais forte.

O cabelo simboliza o pensamento, aquilo que emana da cabeça. Jogar cabelo no chão ou fora torna o menino de certo modo mais leve, faz com que ele brilhe ainda mais. Da mesma maneira, sua idéia ou iniciativa desgastada pode brilhar ainda mais se você tirar um pouco dela para jogar fora. É a mesma idéia de um escultor removendo mais mármore a fim de revelar mais a forma oculta. Um meio poderoso de renovar ou reforçar nossa intenção ou nossa ação que ficou extenuada consiste em jogar algumas idéias fora e concentrar nossa atenção.

Arranque três fios de cabelo da sua iniciativa, jogando-os os ao chão. Eles se transformarão num alarme de despertador. Jogá-los ao chão gera um ruído psíquico, um repique, uma ressonância no espírito da mulher que faz com que a atividade retome. O som da queda de algumas das nossas muitas idéias se transforma numa espécie de proclamação de uma nova era ou de uma nova oportunidade.

Na realidade, a velha La Que Sabé está podando ligeiramente o lado masculino. Sabemos que o corte dos galhos secos ajuda a árvore a crescer com mais força. Sabemos também que a eliminação das flores de certas plantas faz com que elas fiquem mais vigorosas, mais exuberantes. Para a mulher selvagem, o ciclo de desenvolvimento e redução do animus é natural. Trata-se de um processo arcaico, antiqüíssimo. Desde tempos imemoráveis, é assim que as mulheres abordam o mundo das idéias e suas manifestações objetivas. É assim que as mulheres agem. A velha no conto de fadas dos três cabelos de ouro nos ensina, na verdade volta a nos ensinar, como é que se faz.

Portanto, qual é o objetivo desse resgate e dessa concentração, desse chamado ao falcão para que volte, dessa corrida com os lobos? É procurar a jugular, chegar direto ao miolo e aos ossos de tudo que existe na sua vida, porque é ali que está o seu prazer, é ali que está a sua alegria, é ali que está o Éden da mulher, aquele local onde há tempo e liberdade de ser, de perambular, de se maravilhar, de escrever, cantar e criar sem medo. Quando os lobos pressentem prazer ou perigo, a princípio eles ficam totalmente imóveis. Ficam parados como estátuas, em total concentração para poderem ver, ouvir, perceber o que exatamente está ali, perceber o que está ali na sua forma mais essencial.

É isso o que a Mulher Selvagem nos oferece: a capacidade de ver o que está diante de nós com a concentração de atenção, com a imobilidade para ver, ouvir, sentir com o tato, com o olfato, com o gosto. A concentração é o uso de todos os nossos sentidos, incluindo-se a intuição. É desse mundo que as mulheres vêm resgatar suas próprias vozes, seus próprios valores, sua imaginação, sua clarividência, suas histórias e suas antigas recordações. São esses os resultados do trabalho da concentração e da criação. Se você perdeu o rumo para se concentrar, sente-se e fique imóvel. Segure a idéia e a embale. Mantenha uma parte dela, jogue outra parte fora, e ela se renovará. Não é preciso fazer mais nada.


Clarissa Pinkola Estés - Mulheres que Correm com os lobos

IN: LOBAS QUE CORREM
CARMEM CORRÊA